RESIDÊNCIA MHSC
Volumetria e fachada frontal
Ilha dos Bentos, Vila Velha - ES, Brasil
MEMORIAL DESCRITIVO
A edificação foi concebida como um exercício de síntese arquitetônica, no qual forma, matéria e experiência sensorial se articulam de maneira indissociável. Implantada nos fundos de um lote de geometria longitudinal, com 11,00 m de largura por 4,50 m de profundidade, a casa afirma sua presença por meio de uma volumetria precisa, de caráter monolítico, que dialoga com os princípios da arquitetura brutalista contemporânea.
O volume, com aproximadamente 49,5 m², é levemente elevado em relação ao nível natural do terreno, cerca de 30 cm, estratégia que confere destaque formal à edificação, favorece o escoamento superficial das águas pluviais e estabelece uma transição simbólica entre o solo e o espaço habitado. Essa elevação reforça a leitura da casa como um objeto arquitetônico autônomo, cuidadosamente pousado no lote, sem recorrer a artifícios formais.
A composição volumétrica se estrutura a partir de planos ortogonais, de geometria rigorosa, cuja expressão se dá pela clareza construtiva e pela honestidade material. O concreto aparente assume papel protagonista na definição da fachada, evidenciando sua textura, porosidade e processo natural de envelhecimento, em consonância com uma estética que valoriza o tempo como agente transformador da arquitetura. Essa materialidade mineral estabelece um contraponto sensível com os elementos naturais incorporados ao projeto, promovendo equilíbrio perceptivo e emocional.
A fachada frontal, única interface direta com o espaço exterior, foi concebida como um plano dinâmico e filtrante, mediando a relação entre interior e exterior. Amplas esquadrias de correr emolduram a abertura principal, permitindo a integração visual e ambiental dos ambientes internos com o jardim, potencializando a entrada de luz natural difusa e favorecendo a ventilação natural. Tal estratégia contribui para o conforto térmico e lumínico, além de responder aos fundamentos da psicologia ambiental e da neuroarquitetura, ao criar espaços que induzem sensações de amplitude, acolhimento e bem-estar.
Complementando a composição da fachada, painéis ripados verticais em madeira foram integrados como brises, responsáveis por atenuar a incidência solar, garantir privacidade e introduzir ritmo e escala humana ao conjunto. A alternância entre cheios e vazios, opacidade e permeabilidade, confere profundidade visual à fachada e reforça sua leitura contemporânea e atemporal.
A vegetação incorporada próxima à residência atua como elemento arquitetônico e ambiental, estabelecendo uma relação direta com os princípios da biofilia e da sustentabilidade pentadimensional. A presença do verde suaviza a materialidade do concreto e fortalece o vínculo afetivo entre o usuário e o lugar, promovendo topofilia e senso de pertencimento.
DADOS DO PROJETO
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ÁREA DO TERRENO
49,5m²
ÁREA CONSTRUÍDA
2021
ANO DO PROJETO
IMAGENS

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